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Infância

Ansiedade infantil: os primeiros sinais

Cogniva Psicologia · 5 min de leitura

É comum pensar que ansiedade é "coisa de adulto" — ligada a boletos, trabalho, prazos. Mas crianças também sentem ansiedade, só que a expressam de um jeito diferente: no corpo, no comportamento, na brincadeira. E, muitas vezes, quem está por perto demora a reconhecer o que está acontecendo.

Alguns sinais costumam aparecer antes das palavras. Dor de barriga sem causa médica antes da escola. Dificuldade para dormir sozinho, mesmo depois de uma fase em que isso já estava resolvido. Irritabilidade que parece desproporcional ao motivo. Apego excessivo a um cuidador, com resistência a pequenas separações do dia a dia. Perguntas repetidas sobre o mesmo assunto, como se a criança estivesse buscando uma garantia que nunca é suficiente.

Nenhum desses sinais, isolado, significa necessariamente um transtorno de ansiedade. Crianças têm fases, e períodos de adaptação — uma mudança de escola, a chegada de um irmão, uma mudança de rotina — naturalmente mexe com a segurança emocional delas. O que pede atenção é a persistência: quando o sinal se repete por semanas, interfere na rotina, ou vem acompanhado de sofrimento visível.

Do ponto de vista sistêmico, a ansiedade de uma criança raramente é só "dela". Ela também comunica algo sobre o ambiente em que essa criança vive — a dinâmica familiar, tensões que os adultos tentam proteger mas que a criança sente, mudanças que ainda não fizeram sentido para ela. Olhar para o sintoma sem olhar para esse contexto costuma deixar a intervenção incompleta.

O psicodrama, por sua vez, oferece um caminho que muitas vezes funciona melhor com crianças do que a conversa direta: o brincar, o desenho, a dramatização. Crianças nem sempre têm vocabulário para nomear o que sentem — mas conseguem encenar, através do brinquedo ou da história inventada, aquilo que ainda não sabem dizer com palavras.

Se você reconhece esses sinais em uma criança perto de você, o primeiro passo não precisa ser dramático. Pode ser simplesmente abrir espaço — perguntar, sem pressa, o que está sendo difícil. E, se a preocupação persistir, buscar uma avaliação com um profissional é sempre um cuidado válido, nunca um exagero.

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